TRANSFAGARASAN. É uma das estradas mais alucinantes da Europa. Foi decidida pelo ditador Nicolau Ceausescu e construída entre 1970 e 1974 para agilizar a deslocação das forças armadas, depois da insurreição na vizinha Checoslováquia em 1968. A paisagem e histórias como o "Conde Drácula" servem para "apimentar" o cenário que descobrimos ao volante dos renovados Mazda MX-5, que chegam em 2019 e ainda não têm preço definido.
MOTORES. A evolução dos motores é a principal diferença. É certo que o Skyactiv-G 1.5 e o Skyactiv-G 2.0 continuam no activo nas novas propostas MX-5 e MX-5 RF, mas o bloco 2.0 litros atmosférico tem uma nova cabeça e admissão de ar. Todas as peças móveis foram optimizadas, a engenharia conseguiu ganhar 25 cv de potência e o "redline" passou de 6.800 para 7.500 rpm.
A potência cresceu de 160 para 184 cv e o binário passou para 205 Nm, o que se pode encarar como uma evolução importante para um bloco atmosférico, que não necessita de filtros para cumprir as novas normas WLTP para consumos e emissões. A marca de Hiroshima não esqueceu o bloco 1.5, mas essa evolução foi muito discreta.
A potência máxima pouco se alterou (de 131 para 132 cv) e o mesmo aconteceu com o binário (de 150 para 152 Nm), já que ir mais longe iria colidir com as normas ambientais de redução de consumos e emissões.
Numa estrada muito longa, onde o número de quilómetros é inferior à quantidade de curvas e contra-curvas, para além do elevado número de "ganchos", guiar um Mazda MX-5 começa por ser um enorme desafio.
Era impossível pensar num percurso mais exigente para testar o ícone da marca de Hiroshima e logo após o arranque, ficou bem evidente a maior genica do motor 2.0 de 184 cv.
A marca japonesa pouco mexeu no chassis, mas ele continua perfeitamente à alturas das exigências de um motor mais dinâmico. Gostámos da eficácia dos travões, apesar de ter sido evidente o sobreaquecimento num trajecto deste tipo, e aplaudimos o desempenho da suspensão.
É (talvez) muito radical para quem olha esta proposta como um descapotável para passear, mas quem o vê como um desportivo, tem a porta aberta para o prazer de condução. Pode ser algo saltitona nas zonas de maus piso que encontrámos na Roménia, mas a estabilidade direccional continua a ser inquestionável.
A transmissão também beneficiou com o aumento do "red line" para as 7.500 rpm, sobretudo numa estrada tão sinuosa como a Transfagarasan onde a segunda e a terceira velocidades são fundamentais para quem quer andar mais depressa e acelerar à saída das curvas e deixar escorregar as rodas traseiras. Nestas condições não é tão necessário recorrer à caixa de velocidade e isso merece aplausos.
Por isto é fácil de concluir que com pequenas alterações nos detalhes houve uma evolução importante em termos de prazer condução e isso é fundamental num desportivo com o carácter do Mazda MX-5.