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A subida em 2 g/km, no ano passado, das emissões de dióxido de carbono do parque automóvel ligeiro na Europa, está a provocar dores de cabeça aos fabricantes auto.
Segundo dados provisórios avançados pela Agência Europeia do Ambiente, em média, as emissões poluentes das viaturas ligeiras atingiram 120,4 g/km no ano passado nos 28 países da União Europeia.
A preocupação é legítima tendo em conta que 95% das viaturas novas vendidas em 2020 não deverão ultrapassar 95 g/km, subindo para 100% no ano seguinte.
A questão assume contornos ainda mais dramáticos quando comparadas as normas WLTP de emissões, mais perto da realidade, com as regras NEDC.
A análise feita a 4,4 milhões de viaturas, das quais 30% eram novas matriculações, revelou uma subida de 20% nas medições WLTP em relação às NEDC.
Em comunicado divulgado esta semana, a Associação Europeia dos Construtores Automóveis aponta como principal responsável para a subida dos índices de poluição, a baixa na venda de viaturas com motorizações a gasóleo.
"Existe uma relação directa entre as vendas de viaturas 'diesel' e a gasolina, e as emissões de dióxido de carbono", afirma a instituição. "Com efeito, os veículos a gasolina emitem mais CO2 do que as viaturas a gasóleo equivalentes".
Dados de 2018 revelam que a descida nas vendas dos ligeiros 'diesel' no Velho Continente foi contraposta pelo aumento nas vendas de veículos movidos a gasolina.
O ano passado venderam-se mais 1,1 milhões de viaturas a gasolina, para um total de 8,5 milhões de unidades.
Nos ligeiros a gasóleo, registou-se uma descida quase equivalente (menos 1,2 milhões), atingindo apenas vendas de 5,4 milhões.
Nesse mesmo período, venderam-se menos de 302 mil veículos equipados com motorizações eléctricas.
Para respeitarem a meta europeia para as emissões poluentes, os fabricantes estão "obrigados" a apostar massivamente na venda de veículos eléctricos, um desafio que está a inquietar várias marcas automóveis.
A Agência Europeia do Ambiente considera como principais responsáveis para a subida das emissões poluentes o aumento das matriculações de viaturas a gasolina, principalmente no segmento dos SUV.
Estes modelos apresentam, em média, emissões de 133 g/km, ou seja, mais 13 g/km do que viaturas de outros segmentos.
"No cenário actual", considera a Associação Europeia dos Construtores Automóveis, "a perspectiva de multas pelo não respeito do objectivo das emissões de CO2 em 2020/2021 é, em graus diversos, um grave problema para os fabricantes auto".
As desvantagens serão ainda maiores tendo em linha de conta os objectivos de redução em 2025 e 2030 fixadas para o dióxido de carbono.